Golfinho na Austrália utiliza técnica incomum para caçar peixes, induzindo vômito e consumindo-o
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Golfinho na Austrália utiliza técnica incomum para caçar peixes, induzindo vômito e consumindo-o

Na costa da Austrália, foi observado um golfinho empregando um método alimentar inédito. Este animal persegue um peixe, causando-lhe tanto estresse que este vomita, e subsequentemente consome o conteúdo regurgitado.

Os registros desse comportamento foram publicados no periódico Ecology and Evolution. Segundo a descrição do estudo, este representa um dos primeiros casos bem documentados de cleptoparasitismo — o ato de subtrair alimento de outro animal — entre os cetáceos, que incluem golfinhos, baleias, botos e toninhas.

Os primeiros indícios desse hábito alimentar peculiar surgiram em 2017. Na área das faixas de corais da ilha de Lady Elliot, localizada na Grande Barreira de Coral australiana, um golfinho-roaz macho chamado Bubbles foi filmado perseguindo xaréus-olhudos (Caranx sexfasciatus), prática que, segundo relatos, era recorrente.

Diante disso, os pesquisadores optaram por monitorar a situação com maior detalhe. Entre junho de 2021 e outubro de 2025, uma equipe de biólogos marinhos posicionou câmeras GoPro para documentar o modo de alimentação do golfinho.

Vídeos posteriores esclareceram a ação do golfinho sobre os peixes assustados. O procedimento segue um padrão constante: o animal se aproxima de um cardume, avalia o grupo e seleciona um peixe específico como alvo. Após a escolha, o golfinho nada atrás da vítima até que ela regurgite seu conteúdo estomacal. Finalmente, ele rapidamente ingere o alimento devolvido e se afasta nadando.

Durante as observações, o golfinho repetiu esse ciclo com persistência. Os cientistas registraram até dez tentativas de perseguição em apenas meia hora, totalizando vinte ocorrências desse comportamento, sendo que o golfinho obteve sucesso em onze delas.

No momento do ataque, o golfinho emitia vocalizações específicas. Antes de abordar o cardume, ele produzia sons de clique, e durante a perseguição, esses cliques se combinavam com outros ruídos de baixa frequência. Asia Armstrong, coordenadora do estudo, afirmou em entrevista à Scientific American que a ecolocalização possibilita aos golfinhos discernir sutis variações na forma, tamanho e estrutura de seus alvos, sugerindo que o golfinho pode usar essa capacidade para escolher o peixe que lhe trará a melhor recompensa. Adicionalmente, é plausível que esses ruídos ajudem a provocar o vômito nos peixes, embora sejam necessários mais pesquisas para confirmar essas teorias.

Ainda não se sabe se este comportamento é uma particularidade exclusiva de Bubbles ou se ele aprendeu essa tática com outros golfinhos ou outros tipos de cetáceos. Armstrong comentou na mesma entrevista que é bastante provável que outras espécies utilizem essa estratégia, ressaltando que golfinhos e baleias empregam diversas táticas singulares para buscar alimento, o que demonstra sua inteligência, adaptabilidade e aptidão para aprender e compartilhar informações socialmente.

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