Nesta terça-feira (20), às 21h08, horário de Brasília, ocorreu o equinócio de setembro — um evento astronômico que marca a mudança das estações no planeta. Neste momento, o Sol cruza o equador terrestre, direcionando-se ao Hemisfério Sul.
Graças a isso, a primavera começa no sul, enquanto no norte o outono se instala. Este fenômeno é causado pela inclinação do eixo da Terra e afeta o clima, a duração do dia e diversos processos naturais em todo o mundo.
A palavra 'equinócio' deriva dos termos latinos 'aequus' (igual) e 'nox' (noite), indicando a ideia de noites com a mesma duração que os dias. No entanto, apesar dessa concepção de equilíbrio entre dia e noite, o equinócio não garante exatamente 12 horas de luz e 12 horas de escuridão.
Na prática, o período de iluminação costuma ser um pouco maior. Essa diferença está relacionada às peculiaridades do próprio Sol e à forma como sua luz interage com a atmosfera terrestre. Um dos fatores é que a astronomia considera o início do dia no momento em que a borda superior do Sol aparece no horizonte, e o fim do dia somente quando sua última parte desaparece. Como a contagem é feita pelas bordas do disco solar, e não pelo seu centro, minutos adicionais de iluminação são somados durante o dia.
A data em que o dia e a noite têm duração estritamente igual é chamada de equilux e ocorre em outro momento. Segundo Josine Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON) e gestora da Divisão de Comunicação e Divulgação Científica (DICOP), os dias e as noites se tornam iguais em datas próximas aos equinócios, dependendo da latitude do observador.
Após o equinócio, a iluminação solar no Hemisfério Sul começa a aumentar gradualmente. Josine explica: 'A partir deste momento, o Sol nasce cada vez mais cedo e se põe cada vez mais tarde, porque o equinócio de primavera é o caminho para o verão.' Ela acrescenta: 'Isso continua até o momento em que, aproximando-se do solstício de verão, temos o dia mais longo e a noite mais curta.'
Outro fator importante que contribui para o aumento da duração da iluminação é a refração atmosférica. A atmosfera age como uma lente, desviando a luz solar e fazendo o Sol parecer mais alto do que realmente está. Isso acelera o nascer e retarda o pôr do sol, expandindo o tempo de iluminação durante o dia. O astrônomo Marcelo Zurita, presidente da Associação Astronômica Paraibana (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital, revela: 'O efeito de refração adiciona aproximadamente 4 minutos e 40 segundos à duração do dia em regiões próximas ao equador', observando que essa diferença é ainda maior para latitudes mais altas.
Este efeito varia dependendo da temperatura, pressão e umidade do ar, o que explica pequenas diferenças nos horários registrados em diferentes regiões. De acordo com a plataforma de divulgação científica EarthSky.org, durante o equinócio, o Sol nasce exatamente a leste e se põe exatamente a oeste quase em todo o mundo, exceto nos polos. Isso ocorre porque ele está alinhado com o equador celeste, uma linha imaginária acima do equador terrestre.
Um ponto interessante é que nesta época do ano, o nascer e o pôr do Sol ocorrem mais rapidamente. O tempo de transição da luz para a escuridão é menor devido ao ângulo da trajetória do Sol em relação ao horizonte.
As mudanças também são notáveis na natureza. No Hemisfério Sul, os dias começam a ficar mais longos, a temperatura aumenta e a vegetação ganha nova vida. Os animais iniciam seus ciclos de reprodução e migração, seguindo o aumento da luz solar.
Embora o calendário tenha 365 dias, o tempo real necessário para a Terra completar uma volta ao redor do Sol é de aproximadamente 365 dias e 6 horas. Como esses quatro eventos astronômicos que marcam as estações dependem da posição exata do planeta no espaço, os equinócios e solstícios ocorrem cerca de 5 horas e 48 minutos mais tarde a cada ano normal.
Para que as estações não 'deslizem' lentamente no calendário, começando tudo mais tarde, o calendário gregoriano utiliza anos bissextos. A adição de um dia a cada quatro anos, 29 de fevereiro, serve justamente para compensar esse excedente diário e manter os equinócios nas mesmas datas.
Como o arredondamento para seis horas não é perfeito, essa pequena diferença se acumula e leva a um dia extra aproximadamente a cada cem anos. Para correção de longo prazo desse excesso, o calendário anula o ano bissexto na maioria dos séculos. Por essa razão, anos como 1700, 1800 e 1900 não tiveram um dia extra, enquanto o ano 2000 manteve o dia extra como exceção à regra.
Segundo Zurita, historicamente, o cálculo do equinócio nunca dependeu da medição da duração do dia e da noite, pois a humanidade começou a contar o tempo com relógios precisos apenas no século XVIII. Anteriormente, este evento era marcado puramente visualmente no horizonte. 'Para as culturas antigas, o equinócio era marcado pela passagem do Sol no meio do caminho entre os solstícios de inverno e de verão', explica Zurita. Antigos observadores monitoravam a posição do astro no horizonte: os solstícios ocorriam quando estava mais ao norte ou ao sul, e o equinócio era registrado quando o ponto de nascer ou pôr ocorria exatamente no meio do caminho.
Definir a data exata dos solstícios era uma dificuldade prática, pois nesse período a posição do Sol no horizonte mal mudava. Essa aparente imobilidade gerou o próprio conceito de 'solstício', que significa 'Sol parado'. Em contraste, a transição solar para o equinócio é rápida e perceptível. Graças a essa clareza observacional, o evento adquiriu grande importância para os povos antigos. 'Ele passa por este ponto apenas dois dias por ano, portanto, os equinócios sempre foram valorizados por todas as culturas como um marco de mudança de anos', enfatiza Zurita. Essa simplicidade visual tornou o fenômeno um pilar fundamental para a organização de calendários e ciclos agrícolas.